segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Texto lindo - muito criativo
Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade> Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno promovido> pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.> > Redação:> Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no> elevador.> Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem> vividos pelas preposições da vida.> E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com> um maravilhoso predicado nominal.> Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito> oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes> ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num> lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se> insinuar, a perguntar, a conversar.> O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno> índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo,> pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.> Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador> recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente> no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com> ela em seu aposto.> Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma> fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para> ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num> vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.> Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente> chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num> transitivo direto.> > Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu> ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um> período simples passaria entre os dois.> Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não> perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.> É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente> oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.> Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,> parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns> minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia> tomando conta.> Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um> perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu> grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu> repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo,> e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram> gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver> aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo> auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.> Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por> todo o edifício.> O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que> loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo> absoluto.> Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele> predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez> mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo> claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto> abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e> culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.> O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido> depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final> na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela> janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o> artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
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